O uso correto de cartuchos e filtros para respiradores é essencial para garantir a proteção das vias respiratórias em ambientes de trabalho com presença de poeiras, névoas, fumos, gases ou vapores. Porém, tão importante quanto escolher o respirador adequado é saber quando trocar seus filtros e cartuchos.
A substituição no momento correto evita que o trabalhador fique exposto a contaminantes e ajuda a manter o equipamento dentro das condições previstas pelo fabricante e pelo Programa de Proteção Respiratória (PPR).
Mas afinal, quando trocar o filtro do respirador? Existe um prazo fixo? O cheiro do produto indica que chegou a hora da substituição? A resposta depende do tipo de filtro, do contaminante, da concentração presente no ambiente e das condições de utilização. Entenda todos os detalhes a seguir para efetuar a troca no prazo ideal.
Por que é importante trocar os filtros e cartuchos do respirador?
Os filtros e cartuchos são componentes responsáveis por remover ou reter determinados contaminantes presentes no ar antes que ele seja inalado.
De acordo com a Fundacentro, os respiradores purificadores de ar podem utilizar filtros para partículas, filtros químicos ou filtros combinados. Os filtros para partículas são destinados à retenção de contaminantes como poeiras, névoas e fumos, enquanto os filtros químicos atuam contra determinados gases e vapores.
Com o uso, esses componentes podem perder sua capacidade de proteção. No caso dos filtros para partículas, por exemplo, o acúmulo de contaminantes aumenta a resistência à passagem do ar.
Já nos filtros químicos, existe o risco de saturação do material adsorvente, fazendo com que o cartucho deixe de reter adequadamente o contaminante.
Por isso, não se deve esperar que o filtro esteja completamente saturado para realizar a troca.
Quando trocar o filtro para partículas?
Os filtros para partículas devem ser substituídos conforme o programa de troca estabelecido pela empresa e também sempre que apresentarem condições que comprometam seu funcionamento.
Entre os principais sinais que indicam a necessidade de substituição estão:
- Filtro danificado;
- Filtro visivelmente sujo;
- Aumento da resistência à respiração;
- Redução da vazão de ar, no caso de respiradores motorizados;
- Término do período estabelecido no programa de troca;
- Indicação do dispositivo de fim de vida útil, quando existente.
A Fundacentro recomenda que filtros para partículas sejam trocados antes que a resistência à respiração se torne incômoda para o usuário.
Isso significa que não é necessário esperar o trabalhador sentir dificuldade significativa para respirar. A substituição deve ser planejada preventivamente.
Quando trocar cartuchos para gases e vapores?
A troca de cartuchos químicos para respiradores exige ainda mais atenção. Diferentemente dos filtros para partículas, não existe um prazo universal, como “trocar a cada 30 dias”, que pode ser aplicado a todos os ambientes e contaminantes. A frequência deve considerar fatores como:
- Tipo de contaminante;
- Concentração do contaminante no ambiente;
- Tempo de exposição;
- Frequência de utilização;
- Temperatura;
- Umidade relativa;
- Taxa de trabalho;
- Vida útil estimada do cartucho;
- Condições de armazenamento;
- Orientações do fabricante;
- Programa de Proteção Respiratória da empresa.
O PPR da Fundacentro orienta que seja estabelecido um plano de troca de filtros baseado em informações que permitam determinar a vida útil do componente e garantir sua substituição antes da saturação.
Portanto, a empresa deve estabelecer uma periodicidade de troca tecnicamente fundamentada, e não simplesmente esperar que o trabalhador perceba algum sinal.
Sentir cheiro significa que o cartucho precisa ser trocado?
Não se deve utilizar o odor como principal critério para definir o momento da troca. Essa é uma das dúvidas mais comuns quando o assunto é proteção respiratória.
O trabalhador pode perceber cheiro, gosto ou irritação quando o contaminante consegue ultrapassar o elemento filtrante. Entretanto, determinados contaminantes possuem propriedades de alerta fracas ou podem ser perigosos mesmo antes que sejam percebidos pelos sentidos humanos.
Por esse motivo, a percepção do usuário não deve substituir um programa de troca previamente definido.
Se um trabalhador sentir odor, gosto ou irritação antes do período previsto para substituição, a situação deve ser comunicada ao responsável pelo programa para que sejam reavaliados fatores como concentração, tempo de exposição, umidade, taxa de trabalho e frequência de troca.
Existe prazo de validade para cartuchos e filtros?
Sim. Além do tempo de utilização, é necessário observar as condições de armazenamento e o prazo de validade informado pelo fabricante.
Um cartucho novo que permaneceu armazenado por muito tempo ou em condições inadequadas não deve ser tratado da mesma forma que um componente armazenado corretamente dentro das especificações. Por isso, é importante verificar:
- Data de fabricação e validade, quando aplicável;
- Integridade da embalagem;
- Condições de armazenamento;
- Instruções do fabricante;
- Compatibilidade do filtro ou cartucho com o respirador utilizado.
Também é fundamental evitar improvisações. Os filtros de reposição devem ser do mesmo tipo e classe previstos na seleção do respirador. Além disso, quando utilizados em pares, devem ser substituídos simultaneamente.
Como saber qual filtro ou cartucho comprar?
A escolha não deve ser feita apenas pelo formato do respirador. Uma vez que, é necessário considerar qual contaminante está presente no ambiente e qual nível de proteção é necessário para aquela atividade.
A NR-6 contempla respiradores com filtros para partículas, filtros químicos e filtros combinados para diferentes situações de exposição.
Além disso, a seleção deve estar alinhada ao Programa de Proteção Respiratória da empresa. A Fundacentro destaca que a proteção efetiva depende da seleção correta do respirador, do ajuste adequado ao rosto, das condições de conservação e do uso correto durante toda a exposição. Por isso, antes de comprar um filtro ou cartucho, confira:
- Tipo e concentração do contaminante;
- Classe do filtro;
- Modelo e fabricante do respirador;
- Compatibilidade entre os componentes;
- Orientações de uso;
- Prazo de validade;
- Condições de armazenamento.
5 sinais de que está na hora de trocar o filtro ou cartucho
Em resumo, a substituição deve ser avaliada quando:
- O período definido no programa de troca foi atingido: a troca preventiva é uma das principais formas de evitar que o componente chegue ao fim de sua capacidade de proteção;
- O filtro está danificado ou excessivamente sujo: danos físicos e sujeira visível podem comprometer o desempenho;
- A resistência à respiração aumentou: é um sinal importante de carregamento do filtro para partículas;
- O indicador de fim de vida útil foi acionado: quando o componente possui esse recurso, a indicação deve ser respeitada;
- 5. Há odor, gosto ou irritação durante o uso: esses sinais não devem ser usados para estabelecer a periodicidade normal de troca, mas indicam uma situação que precisa ser imediatamente comunicada e investigada.
Trocar corretamente também faz parte da proteção respiratória
Não basta utilizar um respirador: é necessário garantir que filtros e cartuchos estejam adequados, dentro das condições de uso e sejam substituídos no momento correto.
Em resumo, a proteção respiratória deve fazer parte de um programa estruturado, contemplando seleção do equipamento, treinamento, ensaio de vedação, manutenção, higienização, armazenamento e substituição dos componentes.
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